janeiro 31, 2006

Sem fantasia



"Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus."
(Chico > 1967)

HISTÓRICO: E pensar que ele tinha apenas 23 anos quando escreveu isso tudo. E eu, 1. Mas para ser bem sincero, só vim me dar conta da beleza dessa música em 1997, quando Oswaldo Montenegro lançou o cd "Letras Brasileiras", no qual divide os vocais de "Sem fantasia" com a Tânia Maya. Desde então, todo o lirismo da melodia e dos versos dessa canção me encanta mais e mais. Aliás, minha relação com a obra do Chico é coisa da maturidade. Porque sempre ouvi muita coisa dele - inicialmente, nas vozes de seus inúmeros intérpretes, em temas de novela e de filmes, etc - mas o encantamento mesmo só aconteceu de uns 13 anos para cá. E como tem sido bom relembrar e - principalmente - descobrir todas as pérolas buarqueanas espalhadas ao longo de quase 40 anos de atividade brilhante e intensa.

janeiro 30, 2006

Sabiá



"Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo
E nada de te esquecer."
(Chico + Tom Jobim > 1968)

HISTÓRICO: Quando garoto, ouvia muito "Pra não dizer que não falei de flores" - aquela gravação antológica do Festival da Record, onde o Vandré dizia "Chico Buarque de Hollanda e Antônio Carlos Jobim merecem o nosso respeito" antes de executar sua canção, tentando conter umas vaias ensurdecedoras. Não encontrei à época ninguém que me explicasse frase tão enigmática. Isso era lá pelos anos 70 (1978, talvez), eu morava no interior de Goiás e começava a descobrir os tesouros da música popular brasileira. Bem mais tarde, fiquei sabendo que aquele protesto era contra "Sabiá", que ganhara o primeiro lugar. Eram os anos de chumbo da ditadura militar e versos como "Vem vamos embora que esperar não é saber" pareciam dizer mais coisas contra aquela triste realidade do que a canção inteira do Tom e do Chico. Só pareciam. Embalados por uma melodia suave, os versos de "Sabiá" já cantavam a esperança de rever a liberdade de outrora. Como foram injustas aquelas vaias. 

janeiro 27, 2006

Desalento



"Diz que eu estive por pouco
Diz a ela que estou louco
Pra perdoar
Que seja lá como for
Por amor
Por favor
É pra ela voltar

Sim, vai e diz
Diz assim
Que eu rodei
Que eu bebi
Que eu caí
Que eu não sei
Que eu só sei
Que cansei, enfim
Dos meus desencontros
Corre e diz a ela
Que eu entrego os pontos."
(Chico + Vinícius de Moraes > 1970)

HISTÓRICO: Para mim, é bem difícil escolher - entre as muitas canções do Chico - aquela de que gosto mais. "Desalento" entra - com certeza - num top 10. E pensar que eu só fui me dar conta dessa música 25 anos depois da sua gravação original quando, em 1995, Gal Costa a colocou no repertório do seu "Mina d'água do meu canto". Mas, em compensação, já tirei o atraso de lá para cá.

janeiro 26, 2006

Valsinha



"Então ela se fez bonita
como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado
cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços
como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram
para a praça e começaram a se abraçar."
(Chico + Vinícius de Moraes > 1970)

HISTÓRICO: Sempre achei que essa história de um amor redescoberto daria um ótimo curta-metragem. Várias vezes, cheguei a pensar nas situações das personagens para compor o roteiro. Demorei, né? Já fiquei sabendo que tem alguém adaptando esses versos para o cinema. Agora é aguardar e conferir.

janeiro 24, 2006

Choro bandido



"Mesmo que os romances sejam falsos
Como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons."
(Chico + Edu Lobo > 1993)

HISTÓRICO: Estava em Pirenópolis, no interior de Goiás, no final de semana passado. Vagando por suas ruazinhas, vi numa vitrine uma almofada com foto e texto do Chico Buarque. Entrei na loja e me deparei com cartazes, cartões e quadros ilustrados com versos de compositores e escritores. O do Chico vinha com os versos iniciais de "Choro bandido". Apesar de eu preferir os versos finais da canção, comprei o quadro e decidi criar esse blog... com trechos de canções buarqueanas que - de alguma forma - fazem parte da minha vida.