janeiro 25, 2007

Qualquer amor




"Qualquer amor
Me satisfaz

(...)

Qualquer hora, qualquer cheiro
Qualquer boca, qualquer peito
Qualquer jeito de prazer
Qualquer prazer é pouco

(...)

Qualquer amor
Eu corro atrás
Qualquer calor
Eu quero mais..."
(Chico + Francis Hime > 1979)

HISTÓRICO: Deve ter sido por volta do final dos anos 70 que eu a conheci. Ela era uma menina da roça, daquelas brejeiras. Cabelos encaracolados e negros, corpo moreno coberto por um vestido estampado de algodão, na altura dos joelhos, que ela prendia com as mãos entre as coxas quando começava a sorrir e a girar. Abaixava a cabeça como se estivesse envergonhada, mas quando a levantava outra vez, lá estava ela sorrindo ainda... e girando, girando, girando. E os seus olhos irradiavam uma alegria esfuziante de quem está descobrindo o mundo (dos sentimentos, inclusive). Hoje, chego à conclusão de que, poucas vezes na vida, vi sorriso ou olhar tão encantadores. Éramos garotos, então. Mas a revolução dos meus hormônios transformou aquele jeito de olhar e sorrir na certidão de nascimento de uma femme fatale, senhora dos prazeres e caprichos que povoavam minha imaginação, mulher que descobriria que eu era - coitadinho! - apenas um menino a sonhar apavorado com as delícias que ela poderia me oferecer. Há tempos não nos vemos. Nos últimos 20 anos, sequer pensei nela, por um segundo que fosse. No entanto, no começo da semana passada, assim do nada, seu sorriso ecoou na noite escura do meu quarto e meu pensamento se pôs a girar, girar, girar...