julho 14, 2006

O velho Francisco



"Já gozei de boa vida
Tinha até meu bangalô
Cobertor, comida
Roupa lavada
Vida veio e me levou

(...)

Quem me vê, vê nem bagaço
Do que viu quem me enfrentou
Campeão do mundo
Em queda de braço
Vida veio e me levou."
(Chico > 1987)


HISTÓRICO: O tempo passa e leva (quase) tudo: amores, amigos, saúde, memória... Mas vez ou outra, ele parece dar uma trégua. Ou somos nós que conseguimos driblá-lo, fazendo a vida voltar as horas? No início de julho, isso aconteceu comigo. Por ocasião das minhas férias, resolvi aproveitar a primeira semana para levar meus pais - que moram no interior - aos seus médicos. Vieram para minha casa em Goiânia e - de repente - durante 6 dias, a magia se fez. Como não moro com eles há mais de 20 anos, nossos momentos (os três juntinhos mesmo) são raros: na casa deles, nem sempre é possível usufruir da presença do meu pai - que continua na ativa - em tempo integral. E nunca tinha dado certo dos dois virem na mesma ocasião. E a não ser para ir ao médico, não vêm para a "cidade grande" de jeito nenhum. O que sei é que - entre a maratona de consultas e exames - vivemos momentos maravilhosos. Saudade daquela intimidade, daquela rotina de café-almoço-e-jantar, daquelas risadas... Me senti um garotinho outra vez, ainda que em muitos momentos - por estarem no meu universo - pudesse parecer que eles fossem os meus filhos. Receber amor é bom demais, poder retribuir é uma bênção!

julho 05, 2006

Tanto amar



"Se seus olhos eu for cantar
Um seu olho me atura
E outro olho vai desmanchar
Toda a pintura

(...)

É na soma do seu olhar
Que eu vou me conhecer inteiro
Se nasci pra enfrentar o mar
Ou faroleiro."(Chico > 1981)

HISTÓRICO: Com esta música, aconteceu uma paixão à primeira audição. O tempo foi passando e eu gostando mais, percebendo melhor os significados. Em "Tanto amar", Chico apresenta uma descrição soberba da alma feminina a partir da análise do olhar: se um olho faz isso, o outro faz aquilo. Ainda que os versos "Amo tanto e de tanto amar" soem lindos e colem nos ouvidos, são as estrofes acima que me ganharam de vez. Na primeira, ele retrata a mulher amada, explorando a dualidade dos seus sentimentos: tem a força para encarar a parada e a emoção à flor da pele desaguando em lágrimas. Já na outra estrofe, a união das diferenças mostra-se poderosa: as janelas se convertem em espelhos. O homem que consegue juntar e entender o fogo e a água daqueles olhos vai enxergar a si mesmo diante de um grande dilema: arriscar-se nas ondas do amor ou ficar seguro - e só - em terra firme. Um conselho? Amar vale a pena, vale o naufrágio.


PS: Estou de férias desde sexta-feira. Por isso, as atualizações por aqui poderão ficar mais remotas. Tentarei não abandonar o blog durante todo o mês. Mas não prometo nada. Inté!