agosto 28, 2006

Deixe a menina



"Não é por estar na sua presença
Meu prezado rapaz
Mas você vai mal
Mas vai mal demais
São dez horas, o samba tá quente
Deixe a morena contente
Deixe a menina sambar em paz."
(Chico > 1980)

HISTÓRICO: Houve um tempo em que o amor que eu conhecia eram os de novela ou cinema. Aquela coisa linda mas assustadoramente cheia de obstáculos para se consumar. Dava até medo. Depois, fui aprendendo que ele não tinha que rimar com dor... quase nunca, desde que algumas regras fossem obedecidas. São muitos os ingredientes para levar uma relação ao sucesso. E no "modo de fazer" de todas as receitas de felicidade, uma orientação está sempre presente: amar requer liberdade. O ciúme - que traz consigo a falsa premissa de proteger o amor - acaba por matá-lo, ao não entender que o barzinho e a boate com os amigos ou o cinema sozinho não representam ameaça alguma. Porque é assim - livre - que o outro traz sorrisos, idéias, frescor, animação, tesão e novidades para a relação. Na verdade, as armadilhas que podem minar uma história de amor não estão na rua, mas dentro de casa mesmo.

agosto 08, 2006

O meu amor



"O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai..."(Chico > 1977/1978)

HISTÓRICO: A vontade de encontrar e viver um grande amor parece ser um consenso. Mas é comum, também, ouvir piadinhas para desqualificar o prazer sexual de casais com relacionamentos duradouros. "O mesmo doce, todo dia, enjoa", dizem uns. "Iiiih, viraram irmãos", ironizam outros. Sempre desconfiei desses comentários. Sei dos desejos e do tesão que as novas conquistas proporcionam, porque já provei deles. Mas talvez o que muitos não saibam - exatamente por não ter vivenciado - é o quanto a entrega ao amor pode renovar o sexo. Amar e saber-se amado parece produzir uma química rejuvenescedora: a felicidade e o prazer do outro acendem os amantes, fazendo queimar os lábios, incendiar os lençóis e... serenar o sono. E poucas coisas podem ser mais excitantes do que descobrir o novo na pessoa que julgamos conhecer tanto e há muito tempo.

agosto 04, 2006

Angélica



"Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar

Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar."
(Chico + Miltinho > 1977)

HISTÓRICO: Sempre gostei muito dessa música. Mas só agora - com a estréia do filme do Sérgio Rezende - fiquei sabendo que tinha sido composta para Zuzu Angel, a estilista brasileira, pouco depois de sua morte. Então, o que já era belo ganhou uma dimensão ainda maior: de tristeza, de verdade, de encanto... Não quero assim dizer que, por ter os pés na realidade, uma canção ou um filme sejam melhores que seus congêneres da ficção; não é isso. Devo confessar, no entanto, que - na maioria das vezes - sinto-me mais tocado ao saber das referências reais de que a arte se apoderou para criar tantos sons e imagens maravilhosos.