junho 04, 2007

Todo o sentimento



"Prometo te querer
Até o amor cair doente, doente

(...)

Depois te perder
Te encontro com certeza
Talvez no tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei como encantado
Ao lado teu."
(Chico + Cristóvão Bastos > 1987)

HISTÓRICO: Por um desses desentendimentos bobos que, às vezes, vêm do nada, o silêncio tinha se instalado entre o casal, naquele quarto, onde as luzes estavam apagadas mas a consciência, acesa. Eles sempre acharam estranho dormir ao lado de quem se ama sem poder dar um beijo de boa-noite: cama é território sagrado, lugar de confissões e entregas, de loucura e lassidão, mas também de paz. No entanto, a primeira palavra não partia de ninguém. Ele respirou fundo e ensaiou um abraço. Parou. Tão perto e tão longe. O tempo passava. Enfim, o abraço se consolidou. Sorriu. Para a nuca dela, é verdade. A felicidade pode se manifestar nos detalhes. Esperou mais uns minutos. Arriscou um beijo. Seus lábios tocando a pele suave e sensível atrás daquela orelha. Sem dizer nada, perdeu-se no corpo dela e o amor se fez devagar e urgentemente, uma faísca que poderia ser apagada ao sopro da primeira palavra - que não veio. Nenhuma palavra até o fim. Corpos cansados, respiração ofegante, mãos apertadas. Palavras pra quê? Beijou sua boca ternamente, sem dizer nada, nem o "te amo" que estava na ponta da língua. Dormiram. Noite tranqüila de corpos entrelaçados. Foi acordado pelo doce bom-dia dos lábios amados. Como se o silêncio não tivesse existido, como se tudo aquilo pudesse ter sido um sonho. Não falaram sobre o ocorrido, nem naquele dia, nem depois: a magia daqueles instantes não seria revelada. Apenas colocaram o sorriso no rosto e não o tiraram mais.