julho 18, 2008

Beatriz



“Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz...”
(Chico + Edu Lobo > 1982)


HISTÓRICO: Não bastassem todo o lirismo da letra ou a curiosidade (?) das palavras "céu" e "chão" estarem, respectivamente, nas notas mais alta e baixa da canção, "Beatriz" ainda tem esses três brilhantes versos que traduzem (tão bem) o medo de perder a pessoa amada. Quer ver? Levante o dedo quem já não se inquietou com a duração do "para sempre". E não é pela fatalidade da sentença, não. É exatamente por saber que a eternidade pode acabar na próxima esquina, naquele olhar, numa festa, num tropeço. Mas... e se houvesse uma maneira de prever as fatalidades para evitar que o final jamais chegasse? Decifrar as linhas da mão como o mapa do tesouro mais valioso. Ver o futuro nas cartas, nos astros, no fundo do tacho, na borra de café, no pêndulo, nos búzios... Filas de ciganas, cartomantes, tarólogos, videntes e afins para garantir a integridade de dois corações, mantendo-os protegidos das dores, cacos e estilhaços dos relacionamentos desfeitos, tantos e tão próximos, que faz a felicidade parecer uma exceção. Será que é perigoso ser feliz? Pelo sim ou pelo não, a saída é seguir amando, hoje mais que ontem, acreditando que novos parágrafos se abrirão para as histórias de amor.