outubro 19, 2006

Sonhos sonhos são



“Negras nuvens
Mordes meu ombro em plena turbulência
A aeromoça nervosa pede calma
Aliso teus seios e toco
O exaltado coração
Então despes a luva pra eu ler-te a mão
E não tem linhas tua palma

(...)

Sei que é sonho
Não porque da varanda atiro pérolas
E a legião de famintos se engalfinha
Não porque voa nosso jato
Roçando catedrais
Mas porque na verdade não me queres mais
Aliás, nunca na vida foste minha.”
(Chico > 1998)


HISTÓRICO: Não chega a ser medo, mas – levante a mão – quem não fica um pouco apreensivo ao voar, principalmente depois de incidentes como aquele envolvendo Boeing e Legacy na rota Brasília-Manaus. Às vésperas do Dia da Criança, ganhei os céus rumo a Sampa. Ia feliz, tanto pelas companhias que tinha ao meu lado quanto por aquelas que ganharia assim que estivesse em terra firme. Confesso que - na primeira meia hora - pensei várias vezes em tragédias aéreas... Mas foi só durante os 30 minutos iniciais. É que daquela altura da viagem até o pouso em Congonhas, o tempo voou. Não porque eu tenha dormido e sonhado, mas porque encontrei uma rádio com programação exclusivamente buarqueana: os blocos começavam com um texto sobre a obra do Chico, seguido por quatro canções do músico – a primeira cantada por ele mesmo e as outras por diferentes intérpretes. E com uma programação assim, lírica e melodicamente tão rica e estimada, os pesadelos se desintegraram no ar.