novembro 15, 2006

Mulheres de Atenas



“Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas

(...)

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas
Morenas...”

(Chico + Augusto Boal > 1976)

HISTÓRICO: Fui cortar o cabelo no último sábado e – enquanto esperava a minha vez – peguei uma revista que estava dando sopa por lá. Era a publicação masculina de maior circulação e prestígio no Brasil, edição 375 com aquelas 3 comissárias de bordo na capa. Lá pelo meio do exemplar, me deparei com uma lista dos 50 melhores discos da música popular brasileira. Bem... gosto é gosto, lista é lista e há que se respeitar, mas fiquei impressionado por não encontrar um trabalho do Chico ali. E sabe o que aconteceu? Comecei a pensar qual dos cds dele eu indicaria para integrar aquele elenco (desfalcado). Sabia que estava me metendo numa enrascada: já é noite de quarta-feira e continuo imprevisivelmente indeciso. Por causa daquelas canções que eu não quero deixar de fora, vários discos estão emparelhados na fila de espera para ganhar o lugar de representante buarqueano. Mas olha só o tamanho da briga que se instalou sobre minhas emoções: até o momento de publicar esse post, 9 discos seguiam empatados na primeira colocação. Escolhi “Meus caros amigos, 1976”, mas poderia ser qualquer um dos outros candidatos, que enumero aqui pelo ano de lançamento para que “a justiça seja feita” e eu não me remoa de arrependimento amanhã ou depois: 1968, 1970, 1971, 1978, 1980, 1981, 1987 e 1993. Em tempo: escolher a canção para ilustrar esse texto também não foi tarefa fácil. Mas como algumas já estão no blog, sofri menos.