abril 19, 2006

Trocando em miúdos



“Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim?
O resto é seu

Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas do amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças.”
(Chico + Francis Hime > 1978)


HISTÓRICO: Quando é que o amor abandona seus escolhidos? Por que é que ele faz as malas? Para onde vai todo o desejo? O que fazer com os planos que ficam? Ainda que seja difícil responder a qualquer uma dessas questões, o mais sensato para mim é aceitar o fim. Remoer o passado em busca de pistas que desvendem o mistério só costuma trazer mais dor. Acabou. Se alguma coisa poderia ser feita, a separação é a sentença de que já é tarde demais. Eu sei que existem voltas, mas elas nunca funcionaram para mim. Será mesmo que funcionam para alguém?. Chego a duvidar que o amor possa ser resgatado. Não me parece ser essa a natureza de tão nobre sentimento: amar pede cuidado em tempo integral, porque pode ser impossível colar os cacos depois. Assim, quebrado o encanto, diga adeus, deseje boa sorte e siga em frente. Sofrer ou fazer sofrer - além do que é realmente inevitável - acaba por cegar os amantes, jogando na escuridão toda a beleza do que foi vivido intensamente. E é muito ruim quando não fica nada daquilo que outrora foi tudo para nós.

4 comentários:

Janaina disse...

Amor? Gostaria de saber como é...

Ademar de Queiroz (Demas) disse...

Ele ainda vai te pegar, Janaína. E você vai ver como é bom. Beijo.

persefone disse...

"hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
exijo respeito, não sou mais um sonhador
chego a mudar de calçada quando aparece uma flor
e dou risada do grande amor, mentira"

Ademar de Queiroz (Demas) disse...

Como diria outro compositor: "O amor quando acontece / A gente esquece logo que sofreu um dia". Beijo.