
"A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor
Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou
E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor."
(Chico > 1966)
HISTÓRICO: Minha mãe é uma mulher muito simples e alegre. E cantar é das coisas de que ela sempre gostou de fazer (desde menina, conta). O fato é que se paro para pensar nela, vejo-a cantando. "Quem canta, seus males espanta", repete todas as vezes que comento sobre esse passatempo. Mas interessante mesmo é que - apesar dela ter vindo do sertão nordestino e de lá trazido muitas referências, inclusive musicais, como do mestre Luiz Gonzaga - "A banda" é a primeira música de que tenho lembrança de vê-la cantarolando. Talvez seja porque a canção explodiu exatamente no ano em que nasci e contagiou minha mãe com a mesma intensidade que fez com o Brasil inteiro; talvez seja porque sua melodia alegre embalasse os sonhos de uma jovem - ela tinha apenas 18 anos - que acabara de virar mãe. Será que ela sabia que Chico Buarque viria a ser o compositor preferido daquela criança? As mães são sábias.
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