
"Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse não."
(Chico > 1977/1978)
HISTÓRICO: Essa canção sobre três abordagens do amor sempre me encantou. No início, porque sua estrutura de ciranda tinha tudo a ver com a minha infância. Aliás, quem não se lembra do clipe de “Os trapalhões” para essa canção, com o Renato Aragão fazendo Maria Bethânia/Teresinha, enquanto Dedé, Mussum e Zacarias representavam os três cavalheiros que abordavam a donzela? Era hilário – pelo menos é o que ficou registrado na memória da criança que eu fui. Depois de alguns anos, já adulto, o encantamento veio pelo que as situações de conquista ali retratadas me traziam de verdade. Quantas vezes eu já fora “Teresinha”! Indeciso, apressado, medroso, desconfiado... Umas vezes a pedir tudo; outras, a querer nada. Um dia sonhando ser tratado como um deus; noutro, como o mais simples dos mortais, com todas as minhas fraquezas e desejos. Pensando no sim e dizendo o não. E vice-versa. Por tudo isso, é uma música que ainda hoje me toca muito.
4 comentários:
Interessante. Li o primeiro verso e eis que de pronto veio a imagem dos trapalhões... Marcou mesmo... Qtas vezes nascemos e morremos Teresinhas... Um abraço
Caíla, obrigado pela visita e seja sempre bem-vinda. Então não sou só eu que me lembro dos Trapalhões, hehehehe. Abração.
Uma vez ouvi que o contrário do amor não é o ódio, é o medo. Lembrei-me disso ao ler: "e assustada eu disse não". Quanto medo temos de errar, sofrer, chorar...não é mesmo? Um bom feriado, Demas.
Acho que é o Erich Fromm que diz que "por onde passa o medo, nenhum outro sentimento é capaz de passar". Meu feriado foi tranqüilinho. E o seu? Beijo.
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