maio 17, 2006

Maninha



"Se lembra da fogueira
Se lembra dos balões
Se lembra dos luares dos sertões
A roupa no varal
Feriado nacional
E as estrelas salpicadas nas canções
Se lembra quando toda modinha
Falava de amor
Pois nunca mais cantei, ó maninha
Depois que ele chegou."
(Chico > 1977)

HISTÓRICO: Quando o Chico compôs essa canção, os tempos eram outros: a ditadura militar inibia, silenciava, torturava, matava... Ainda assim, o povo se rebelava, ia para as ruas, perdia a vida, nunca a voz. A guerrilha urbana - provocada pelo PCC nos últimos dias em São Paulo - me fez pensar no silêncio do "brasileiro pós-abertura". Não parece paradoxal? Há quanto tempo sentimos a violência se aproximar? Primeiro, da nossa cidade; depois, do nosso bairro, nossa rua, nossa calçada, nossa casa, nossa janela. E não fazemos nada, a não ser colocar grades, travas, alarmes, sensores, câmeras... Já passou da hora de irmos às ruas pedir respeito, segurança e atitude. Gritar, espernear, xingar, cobrar de quem é pago para garantir a nossa paz. Até quando vamos ficar nos escondendo, apenas esperando? Viver com medo é pequeno demais.

11 comentários:

persefone disse...

para isso seria preciso primeiro acreditarmos que merecemos uma vida melhor. nós, brasileiros, carecemos de auto-estima.

Ademar de Queiroz (Demas) disse...

Ah, Perséfone, até quando vamos ficar mendigando o que é nosso por direito? Não queria ficar apenas assistindo ao circo pegar fogo.
:(
Beijo.

Mônica disse...

affffffffffffffff...qdo vi o nome do teu blog nem precisou teminar de carregar pra ver q esse canto passará a fazer parte das minhas visitas diárias já.....
pq amooooooooooo as letras de Chico

volte sempre lá..eu voltarei sempre aqui

grande beijo

Atena disse...

Ah, você me fez viajar nessa letra do Chico, que até me esqueci do resto. Como a realidade anda me dando tapas na cara, fico com o saudosismo e o lirismo da música.

Beijo com carinho.

P.S. Tenho um aluno diretor preparando um espetáculo sobre o Chico. Vou avisá-lo quando estrear. :)

Ademar de Queiroz (Demas) disse...

Mônica, seja bem-vinda ao "Buarqueando": a casa é sua. Beijo.

Atena, escolhi essa canção justamente por ela também me remeter a um tempo que eu brincava pelas ruas sem preocupação alguma, quando os medos que tinha eram de escuro e assombração. :)
Beijo.

Ademar de Queiroz (Demas) disse...

Ah, e não esquece de avisar sobre o espetáculo não. Beijo.

Jôka P. disse...

Demas, obrigado por sua visita à Copacabana.
Abç,
Jôka P.

Janaina disse...

Esta é uma das músicas que eu mais gosto. É tão infantil, e ao mesmo tempo, diz tantas coisas.

Ademar de Queiroz (Demas) disse...

Imagina, Jôka. Seja bem-vindo ao "Buarqueando". Volte mais.
Abração

Janaína, a sacada do Chico aqui foi, justamente, contrapor a saudade desse passado distante com as atrocidades do presente, numa referência então a "ele", um dos generais da ditadura. Hoje, podemos cantá-la para nos referir a ele, político brasileiro; a ele, medo; etc.
Beijo.

eurídice disse...

Oi Demas!!! Vim retribuir a visitinha e descobri que Chico é pra vc o que o Viníicus é pra mim. Mas eu também adoro o Chico, e os depoimentos que ele deu no filme do Vinícius foram bárbaros. Um abraço pra vc!!!!!

Ademar de Queiroz (Demas) disse...

Dona Gérbera, bem-vinda. Também adorei os depoimentos do Carioca no filme. Volte quando quiser, viu? É um prazer recebê-la aqui.
Abração.