março 29, 2006

Cecília



"Quantos artistas
Entoam baladas
Para suas amadas
Com grandes orquestras
Como os invejo
Como os admiro
Eu, que te vejo
E nem quase respiro

(...)

Me escutas, Cecília?

Mas eu te chamava em silêncio
Na tua presença
Palavras são brutas."

(Chico + Luiz Cláudio Ramos > 1998)

HISTÓRICO: Sei da importância do silêncio. Mas sou adepto das palavras. Tenho necessidade de libertá-las. Talvez para colocar minhas idéias e sentimentos à prova. Ou para que - exteriorizando o que martela na minha cabeça - eu possa finalmente tomar consciência de que tudo aquilo é real e está acontecendo mesmo. Costumo ser muito objetivo em relação ao que penso. Não sei ficar remoendo possibilidades, suposições, dúvidas, medos. Nessas horas, a palavra é minha aliada mais valente. Solto-as, uma a uma, com calma, na certeza de que o diálogo vai ser produtivo, termine a história com final feliz ou não. Ainda assim, entendo perfeitamente o que o Chico descreve em "Cecília". Muitas vezes, traduzir afeto é quase impossível, como se as palavras não conseguissem significar o que realmente expressam. Travo. Porque na dúvida, o silêncio parece revelar muito mais. Mas não adianta. Só preciso dele pelo tempo de um suspiro, como se o ar que entra pelos pulmões soprasse meu coração, liberando - finalmente - as frases de amor que precisam ser ditas.

2 comentários:

Sweet! disse...

Essa capa é ótima, eu adoro, mas não conheço essa música, q pena... Será q o poeta pensou na poetisa? (Cecília Meireles?)

Ademar de Queiroz (Demas) disse...

Sweet, não sei. Mas a canção é digna dela, viu? Procure ouvir. Se quiser, posso mandá-la por email para você. Beijo.