
"Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
(...)
Acontece que a donzela -
E isso era segredo dela -
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
(...)
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
(...)
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni!"
(Chico > 1977/1978)
(Chico > 1977/1978)
HISTÓRICO: Como já disse num dos posts anteriores, long-plays eram raros na minha casa, não cabiam no nosso orçamento. Mas, por volta dos meus 13 anos, a paixão pela mpb bateu de verdade e eu passei a buscar tudo o que podia ouvir. Comecei sintonizando a Rádio Jornal de Brasília todas as noites, antes de dormir. Ligava o radinho de pilha, colocava-o entre a cama e a parede e ficava horas escutando toda aquela diversidade musical recém-descoberta. Mas ficava horas mesmo, a ponto de meus pais gritarem do quarto deles para eu desligar o rádio. Queria porque queria saber qual seria a música seguinte. E essa curiosidade me mantinha alerta, afastando o sono. Pouco tempo depois, já no final dos anos 70, descobri que minha tia Maria tinha um acervo de lps em seu quarto. E foi lá, enquanto ela trabalhava, que eu passava as tardes descobrindo tesouros e gravando minhas fitas cassetes. Assim, descobri essa coletânea do Chico (foto acima) que continha, dentre outras canções, "Geni e o Zepelim". Talvez por causa dos versos debochados que tanto entusiasmam os adolescentes, foi ela a canção que me marcou naquele momento. E olha que, àquela época, eu nem sabia que a valente Geni era uma travesti.
2 comentários:
Fita cassete, ê saudade...
É Sweet, é verdade, confesso... Sou do tempo das fitas cassetes. ;)
Beijo.
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